em aboutCOM

Como a inteligência artificial e a tecnologia estão mudando o mercado de jornalismo e comunicação

Editorial aboutCOM

O curta-metragem The Last Ice Merchant, mostra como a exploração de gelo nas montanhas faz parte da cultura popular do Equador e é um ofício passado de geração a geração, que está com os dias contados. Pode parecer uma visão apocalíptica, mas fazendo um  paralelo com a realidade do mercado de comunicação, vemos o quanto a área evoluiu até os dias de hoje e, com a entrada de tecnologias como IA e Big Data nesse universo, quantos paradigmas mais estão mudando e devem seguir se modernizando. Imaginando, então, um dia olhar para trás, observando um ‘comerciante de gelo’ (do mercado de comunicação),  te convidamos a refletir sobre o quanto o setor se desenvolveu e agora é dominado pela presença de dados para a tomada de decisão. Entenda como a tecnologia está conversando com o campo da comunicação, que sempre foi mais intuitivo e menos racional, e qual a opinião de especialistas sobre de como unir o melhor de cada um.

Jornalismo e Big Data

Segundo informação publicada em coluna do portal Aberje, durante  o painel “o futuro da automação das notícias”, realizado  na edição 2017 do SXSW, em Austin no Texas, Wilson Andrews, editor gráfico do The New York Times, compartilhou sua visão de que o processo de automação é algo irreversível, porém acredita que o jornalista evoluirá para o papel de um Curador, que irá orientar sistemas de inteligência artificial. Com isso, tais sistemas ficam mais eficientes quanto à pontos de vista, acesso a informações de qualidade e adequação de linguagem. Já para Helen Vogt, diretora de desenvolvimento de produtos da NTB, agência de notícias norueguesa, a inteligência artificial tem o propósito de trazer agilidade para a produção de conteúdos, como dados estatísticos, infográficos, análises econômicas, que são processados muito mais rápido por um sistema do que por qualquer especialista.

A bloomberg publicou recentemente uma notícia de que a JX Press Corp tinha zero repórteres em sua redação produzindo notícias. A startup, dona do  News Digest, um dos apps mais populares no Japão, substituiu jornalistas por um algoritmo que compatibiliza informações de redes sociais e inteligência artificial. A agência ganhou destaque em 2017 quando, 30 minutos antes de todos os seus concorrentes, noticiou a morte de Kim Jong-Nam, irmão de Kim Jong-Un, ditador norte-coreano. Segundo à empresa, o robô jornalista analisa textos, fotos e pontuação para buscar notícias e é capaz de garantir 99% de certeza com relação a veracidade das informações.

IA e PR

Flavia Sobral Faccioni, Presidente da aboutCOM, acredita que, num futuro próximo, as agências de comunicação vão ficar totalmente focadas em questões estratégicas e de relacionamento, enquanto que sistemas serão responsáveis pela produção de conteúdo baseado em dados. “As máquinas não poderão substituir a comunicação H2H em sua essência, tampouco o relacionamento interpessoal, mas a produção de press releases, por exemplo, poder facilmente entrar em um contexto automatizado”.

O portal de notícias Press Page publicou uma notícia sobre tecnologias que irão mudar como fazemos PR. A matéria fala que, de todas elas, a inteligência artificial é a que mais assombra o PR. A notícia ainda menciona que Kevin Kelly, fundador da Wired, diz que a IA, em trinta anos, estará presente em todos os aspectos da sociedade. As relações públicas irão precisar lidar com essas mudanças e com o fato de que as máquinas poderão detectar o sentimento do público em tempo real e mais, saber qual decisão tomar a partir da análise de milhões de dados.

Chegando mais perto da realidade, Victor Hugo Gonçalves, advogado e sócio do escritório Pereira Gonçalves Advogados Associados, comentou durante sua palestra no Congresso Mega Brasil de Comunicação 2018 que já testou um softwares de IA para escrever seus artigos, e que o resultado foi um texto que pareceu ser escrito por ele.

Big Data, IA e outros setores

No livro “Fourth Revolution: How Artificial Intelligence is Changing the Face of Learning”, Anthony Seldon, pesquisador e vice-reitor da Universidade de Buckingham, aborda como, em 10 anos, possivelmente máquinas de inteligência artificial estarão ocupando o lugar de professores humanos nas salas de aula. Estes robôs irão adaptar diferentes métodos de ensino e comunicação para que seja possível ter uma educação totalmente personalizada.

Paula Bellizia, General Manager da Microsoft Brasil, em seu artigo no LinkedIn “A  transformação digital do campo”, aponta que “a chave para transformar a cadeia de valor do agronegócio está nos dados”. No País, ainda há uma janela na infraestrutura do setor que pode trazer ganhos representativos para eficiência, segurança alimentar, sustentabilidade, entre outros. A executiva cita ainda o programa FarmBeats da Microsoft, que envia dados por meio de sensores terrestres, tratores e câmeras para um computador na fazenda, permitindo que o fazendeiro obtenha informações precisas para tomadas de decisões cruciais em seu negócio, evitando desperdício de tempo em um empreendimento que demandaria horas ao volante para conseguir detectar pragas e problemas com o solo, por exemplo.

Fato: o algoritmo está muito mais familiarizado com a indústria de consumo e entretenimento. A Nutella, por exemplo, em 2017, utilizou Big Data para substituir um profissional designer e gerou milhões de designs únicos para sua embalagens. A partir de um banco de dados com dezenas de cores, criou 7 milhões de versões diferentes de identidades gráficas para seu produto, que foram distribuídas na Itália. A Netflix ficou mundialmente conhecida por se valer da ajuda de Big Data para produzir séries, como House of Cards e Stranger Things.

Mas você ainda pode estar pensando nesse instante que a tecnologia não está tão presente na sua rotina. Acontece que nem sempre é percebida sua gradação e impacto. O progresso incremental das tecnologias em vídeo, redes sociais e no e-mail são a prova de que o conhecimento está aumentando e a tecnologia segue em constante evolução. Os sistemas vão permitir que a comunicação com os públicos aconteça da melhor forma, assim como a compreensão. Aos profissionais e à área, caberá atividades que exigem mais sensibilidade do que conhecimento técnico ou teórico. Inteligência emocional, já tão presente no dia a dia da comunicação, será o protagonista de sucesso.

Escreva um comentário

Comentário