Como lidar com clientes que falam demais durante uma entrevista para a imprensa

Para ter equilíbrio, é fundamental que assessores e executivos trabalhem juntos; preparar o briefing e treinar o discurso são essenciais para uma boa conversa

por Editorial aboutCOM

Criada para unir empresas à mídia, a função da assessoria inclui papéis básicos: conhecer o seu cliente, montar uma estratégia eficaz de comunicação, envolver os veículos certos nas ações` e promover entrevistas e encontros interessantes para os dois lados. Para isso, precisa preparar o seu cliente. Isso inclui dar dicas sobre como se comportar diante da imprensa, preparar os briefings de entrevistas e  destacar os pontos que devem ser abordados em cada uma delas.

Na prática, dificuldades aparecem. Mesmo oferecendo um media training completo, os assessores ficam passíveis de executivos que falam demais durante a entrevista. Sejam aqueles que se estendem no assunto, se perdem no conteúdo e acabam saturando os jornalistas – conhecidos pela mídia como maus porta-vozes – sejam aqueles que se empolgam com novos contratos da empresa e acabam revelando dados e informações confidenciais – que seriam as ótimas fontes para jornalistas, mas péssimas para a própria empresa. O resultado, muitas vezes, são entrevistas não publicadas ou uma quebra da estratégia de comunicação – já que ficamos “refém” da publicação ou da informação vazada.

O equilíbrio, portanto, funciona como uma via de mão dupla. Os assessores, por um lado, dão feedbacks e dicas básicas como, por exemplo, usar frases curtas, claras e que respondam à pergunta principal feita pelo jornalista. Além disso enviam, com antecedência, tudo o que o cliente precisa saber: dados do jornalista, do veículo para qual escreve, assunto principal da entrevista e como se posicionar para ser um bom porta-voz. Por outro lado, é fundamental que o executivo estude o material que recebe. Isso inclui ler o briefing, praticar o discurso com antecedência, ser o mais direto possível e treinar o jogo de cintura, caso não possa responder a alguma pergunta.

Mas, nem sempre isso acontece. Se não for possível reverter o que foi falado, a entrevista pode prejudicar toda a estratégia de comunicação. Com dados e informações confidenciais publicadas, a empresa toda é prejudicada e perde a chance de ganhar a visibilidade esperada – já que o foco passa a ser outro.

São nessas situações que um bom relacionamento entre assessores e jornalistas pode fazer a diferença. Com uma boa conversa, é possível entrar em acordo e minimizar os danos. Além disso,  é fundamental que o assessor esteja atento durante a entrevista – interferindo se for necessário ou dando toques ao cliente, direcionando a conversa para o que realmente importa (nessas horas, ferramentas como o Whatsapp ou mensagens no Skype ajudam). Em um mundo onde o tempo está cada vez mais valioso, é preciso aproveitar cada segundo.

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Por Flavia Sobral

Já é uma prática muito comum no universo de quem faz assessoria para produto, diversificar o mailing. Isso quer dizer, por exemplo, que o lançamento de um celular pode (e deve) ser trabalho no mailing de tecnologia, mas também no de consumo, tendências, moda (e por que não se o design é atraente?) e muitos outros. Mas no mercado B2B (empresas que vendem para empresas), apesar de representar um grande diferencial, ainda não é uma prática muito comum.

Uma das primeiras atividades que fazemos quando temos um novo cliente de assessoria de imprensa é uma reunião de briefing. Esse momento serve não só para uma imersão no cliente, mas para já pensarmos em possíveis pautas a trabalhar, e, por que não, quais são os veículos que teriam interesse em falar delas. O erro comum está nesta fase, se considerarmos apenas o negócio principal do cliente, e não necessariamente de que setor são os clientes do nosso cliente.

Aqui na aboutCOM, por exemplo, 80% dos nossos clientes são das áreas de TI e Telecom, B2B. Isso quer dizer que se não ampliarmos as nossas estratégias de comunicação para além dos veículos que cobrem esses setores, falaremos sempre com o mesmo público e as mesmas pessoas – e nosso cliente vai sair sempre nos mesmos meios.

Vale comentar que o papel do assessor de imprensa não é só fazer de tudo para o cliente sair na mídia, mas fazer com que ele saia nos veículos que atinjam o seu público de negócios. Ou seja, diversificar é fundamental!

Estamos vendo muito sucesso em estratégias que incluem meios de comunicação que cobrem verticais (setores) para os quais nossos clientes vendem suas soluções. E como tecnologia hoje é fundamental para a sobrevivência de um negócio, por que não ver uma história sobre ela em veículo de agronegócios, indústria, logística, automóveis e tantos outros?!

Volto ao meu incansável discurso: para comunicar, e fazer direito, é preciso estratégia. E para montar uma estratégia de comunicação eficiente, é preciso ir além, pensar além e, com certeza, diversificar a voz.

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Imagem: Depositphotos