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A tecnologia pode substituir o trabalho do assessor de imprensa?

por Flavia Sobral Faccioni

Com polêmicas envolvendo ferramentas que garantem resultados em comunicação sem o apoio de jornalistas e assessores, papel das agências vem à tona – que é o atuar como uma consultoria

Que a comunicação é um fator essencial para a construção da imagem de uma empresa no mercado, ninguém discute. É por meio dela, por exemplo, que as pessoas decidem comprar ou não de uma marca ou frequentar um estabelecimento. Já falamos por aqui da importância da assessoria de imprensa na elaboração de uma estratégia de comunicação eficaz que, realmente, atinja o público-alvo. Mas, uma questão tem povoado os grupos de discussão entre assessores de imprensa e jornalistas há algum tempo: o que, de fato, faz com que a matéria tenha relevância e traga resultado para a empresa?

Ano passado, houve uma grande discussão sobre ferramentas que garantem resultados de comunicação sem o trabalho de assessores e jornalistas. Na ocasião, o CEO de uma empresa fornecedora de uma destas tecnologias comentou que “o empresário poderia abrir mão de uma assessoria de imprensa – por ser um serviço caro – para se promover diante da mídia por meio da ferramenta” que, nada mais é, do que um modelo de automatização de releases. Ou seja, em vez de o profissional de comunicação produzir o release para enviar aos jornalistas, preenche um formulário com o texto que quer ver publicado e direciona ao segmento que preferir. O que acontece é que a notícia não sai, de fato, no veículo escolhido.

Em determinado momento das discussões, foi mencionado que as matérias vinham na busca do Google – o tão esperado SEO – e isso poderia ser bom. Mas fica a pergunta: é isso que sua empresa quer ou o objetivo é ser conhecida no mercado como uma fonte confiável de informação e bons serviços? Pela ferramenta do exemplo, o buscador direciona o leitor para uma “página” da mídia, mas ao final da matéria há uma mensagem clara: “este conteúdo de divulgação comercial é fornecido pela empresa XXX e não é de responsabilidade de nomedamídia.com”. E, se o leitor buscar no portal de notícias daquela mídia, não achará a matéria.

Mas esse alerta ao desavisado leitor não é o único ponto a se avaliar com esse tipo de abordagem. É importante lembrar, nesse cenário, que notícia não é publicidade, e posicionar uma companhia no mercado vai muito além de ela apenas ser encontrada em uma busca pela internet. Matérias pagas, no modelo de publieditoriais podem e, às vezes, fazem parte de uma estratégia de comunicação, mas usadas aleatoriamente para mostrar ao cliente que houve resultados podem comprometer até mesmo o relacionamento com um determinado veículo.

Ferramentas que garantem resultados de comunicação trazem resultados em número, não em qualidade. Defender que saem nas ‘grandes mídias’, também não é certo, já que não são resultados reais, mas notícias ‘escondidas’ nos sites. Assim, se usada de forma transparente, com o cliente sabendo disso e apenas com o objetivo de ganhar volume de clipping, ou SEO, tudo bem. Mas, como uma estratégia de comunicação para atingir o público-alvo, não trará retorno. Um planejamento de comunicação eficiente passa por uma abordagem 360°, metodologia pela qual a informação é distribuída de forma integrada, passando por todos os aspectos de comunicação: marketing, publicidade, relações públicas e compartilhamento de conhecimento, amparado por técnicas de jornalismo e storytelling.

Ter uma estratégia de comunicação é ter uma consultoria que auxilia na sustentação e apoio do objetivo final da marca, que é crescer atendendo bem o cliente. Isso, ainda não conseguimos automatizar.

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Imagem: Depositphotos

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